Thursday, December 21, 2006

Mia, a Borboleta - Texto 20

Mia é uma pequenina borboleta. Ela mora no parque da cidade, numa casinha escondida no oco da terceira árvore, depois da avenida das Paineiras.

A casa da borboleta tem um quartinho, onde Mia dorme seu sono de borboleta e guarda as belas roupagens, com que passeia pelo parque. Além do quarto, há também um banheiro todo rosinha (Mia é uma excelente decoradora!), uma sala, com televisão de plasma, onde a nossa amiga assiste sua novela favorita, “Em Nome da Borboleta”, e uma cozinha, onde Mia prepara deliciosos quitutes, apreciados pelos inúmeros insetos amigos dela.

Apesar de morar sozinha, Mia tem vários amigos, das mais diferentes espécies e classes. Está sempre disposta a ajudar, na hora em que eles precisam de alguma coisa. Os dias da borboleta, então, são bastante animados: durante o dia, ela trabalha, borboleteando pelo parque à procura de alimentos e embelezando cada cantinho por onde passa. Durante a noite, faz suas orações de borboleta e ouve instruções sábias, deixadas por um Grande Mestre, há milênios, e que ela busca seguir, na humildade de sua vida-borboletinha.

Depois das reuniões, e também nos fins-de-semana, ela continua em atividade: ajuda no orfanato das cigarrinhas abandonadas e participa no Lar dos Gafanhotos Idosos.

Como vocês podem observar, a vida de Mia é cheia de compromissos e, talvez exatamente por isso, ela é uma das borboletas mais felizes do parque, pois consegue viver em paz e encontrou, na ajuda ao próximo, a razão de viver.
(Diverti-me muito escrevendo este texto. Espero que vocês também gostem... Feliz Natal!!!)

Thursday, December 14, 2006

Otávio quer ser médico - Texto 19

Esta é a história de um amigo meu chamado Otávio, um cara que teve um sonho e lutou para torná-lo realidade.

Desde muito pequeno, Otávio cismou que ia ser médico. Quando dizia isso, a maioria das pessoas achava estranho. Seu Zé da padaria até chegou a dizer:

- Imagine, menino! Sua família mal tem como pagar o leite pra vocês! Para fazer medicina, você vai precisar fazer boa escola. Para se manter no curso, vai precisar comprar livros e aparelhos caros. – E ainda completou, implacável: - Um menino que nasceu onde você nasceu, neste bairro pobre, deve ser menos ambicioso. É melhor pensar noutra coisa!

Nesse dia, Otávio foi para casa meio chateado. Afinal, era o que ele mais queria e achava que o Seu Zé pudesse ter mesmo alguma razão. Não era melhor esquecer essa idéia?

Chegou em casa e foi logo desabafar com a mãe. D. Nadyr, sábia senhora, interrompeu o trabalho que fazia, no tanque lotado de roupas sujas, que ela lavava para ajudar nas despesas da casa. Pegou o menino pela mão e, ajoelhando-se em frente a ele, olhou-o nos olhos e disse:

- Meu filho, somos mesmo muito pobres, mas isso não é motivo para você desanimar. Certamente, para você as coisas serão um pouco mais difíceis que para outras pessoas, e é por isso que, desde já, quero lhe ensinar uma palavra sagrada, que vai ajudá-lo a se tornar um excelente médico!

- Ensine aí, mamãe. Que palavra é essa? – perguntou o menino, interessado.

- Essa palavra é a RENÚNCIA. Sempre que temos um objetivo maior, é preciso abrir mão de certas coisas, no hoje. Olha só, se você quer mesmo ser médico, vai ter que perder algumas partidas de futebol, no campinho, para ficar em casa estudando. Quando ficar mais moço, vai ter que abrir mão das baladas e das festas, para não gastar muito. Vai perder horas de sono, de lazer... Vai ter que renunciar a muita coisa para, lá no final da história, conseguir cuidar de vidas, trazer a cura para as pessoas. – E completou: - Você está disposto?

- Claro que sim, mamãe. Quando a gente quer muito alguma coisa, precisa lutar para conseguir, né?

- É, e lutar é também abrir mão do que gostamos, para fazer alguém feliz, hoje ou amanhã! Uma mãe que deixa de dormir o sono gostosinho, para cuidar do bebê que chora, está renunciando. Um pai que faz um trabalho difícil, durante anos a fio, para pagar as despesas dos filhos, está renunciando. Uma flor que se deixa arrancar, para enfeitar o altar, está renunciando. Tudo na vida é renúncia, meu filho, e, se você quer mesmo ser médico, não pode se esquecer dessa lição!

Durante os anos que se seguiram, Otávio nunca deixou de ouvir, dentro de si, a voz mansa e paciente da sua mãe, a ensinar a mais inesquecível das lições. Foram anos de muita dificuldade e de privações. Em muitos momentos, até pensou em desistir, mas sempre se lembrava de que é preciso renunciar e hoje, finalmente, vê mãe e pai assistirem, orgulhosos, à tão sonhada formatura.

Wednesday, December 06, 2006

A CAIXINHA - Texto 18

Vou apresentar para vocês uma caixinha. Uma caixa parecida com tantas outras que encontramos por aí.

Essa caixinha, no entanto, é bastante especial, pois guarda um tesouro. Um tesouro invisível.

Esse tesouro não é de piratas, não são moedas nem dinheiro vivo. É algo ainda mais valioso e precioso.

Dentro da caixinha, meus amigos, fica uma das virtudes mais importantes para a vida em sociedade: a paciência.

Quando possuem este tesouro, guardado, com todo cuidado, nesta incrível caixinha, as pessoas retiram dela, sempre que precisam, uma boa dose de paciência.

Paciência com os colegas. Com os pais. Com os professores. Com o trânsito barulhento. Com a fila imensa. Com os gatos miando, de madrugada.

O mais interessante é que as pessoas que têm essa caixinha estão sempre com ela cheiinha e, mesmo gastando com todo tipo de pessoa e de situação, ela nunca se esvazia. Além disso, como vivem tranqüilas e são pacíficas, essas pessoas têm maiores chances de serem felizes.

Apesar de conter tão valioso tesouro, essa caixinha é acessível a todos nós. Basta que, nas nossas preces, peçamos a Deus: “Senhor, dai-me paciência”. Ele nunca nega esse tipo de pedido!

Friday, December 01, 2006

Consumismo - Texto 17

Olá!
Desculpem o sumiço.
Jane e Sabrina, obrigada pelo estímulo dos comentários. Eles são MESMO importantes.
O conto de hoje fala sobre uma menina muito consumista que, por circunstâncias da vida, acaba aprendendo uma lição importante não somente para ela, mas para o próprio futuro do nosso querido planetinha.
Abraço fraterno,
Issana
Texto
Luísa era uma criança que, quando ia ao restaurante, deixava um monte de comida no prato, porque não dava conta de comer tudo que pedia.

Para escrever, só admitia papéis branquinhos. Seja para fazer um rascunho, seja para escrever uma lista, só admitia folhas impecáveis. Ao menor errinho, o papel ia para o cesto de lixo.

Um certo dia, entretanto, tudo começou a mudar na vida da Luisinha. É que o pai dela foi demitido do trabalho e convocou uma reunião da família:

- Pessoal, os tempos que estão vindo são muito difíceis. Papai precisa se ajeitar num outro emprego e, enquanto isso não acontecer, vamos precisar cortar os gastos.

A família inteira olhava para o pai. Todos percebiam que o momento era sério e prestavam bastante atenção:

- Vamos começar cortando toda forma de desperdício. Cada centavinho que a mamãe e o papai utilizam para comprar as coisas de que necessitamos é muito importante, e não podemos abrir mão dele. Por isso, cada um vai pensar bem e vai me dizer em que vai poder economizar, que eu vou escrever aqui, nesta agenda, e a gente vai sempre ver se a pessoa está cumprindo – completou o senhor.

- Eu vou pegar leve com o telefone, papai – disse Lucas, o irmão adolescente da Luísa.

- Ótimo, Lucas. Vou anotar aqui.

- E eu, vou procurar receitas com produtos mais em conta e vou reaproveitar os alimentos – disse D. Tatiana, a mãe.

Enquanto eles discutiam, Luísa pensava, pensava... Até que teve algumas idéias legais:

- Papai, serve se eu utilizar o verso das folhas que puder aproveitar, para rascunho?

O pai sorriu para a menina, satisfeito:

- É claro que sim, filhota!

A menina estava se animando:

- Ah, e posso também deixar de exigir roupas de marca, né?

Agora, quem estava se animando era o pai:

- Claro que sim, Luisinha. Economizar é muito importante, não só para a gente sair desta situação difícil, mas também para viver com as outras pessoas. Sabia que árvores e mais árvores são derrubadas, para que tenhamos folhas branquinhas para consumir? Sabia que há crianças morrendo de fome, em todos os lugares do mundo, que dariam tudo para se alimentar nem que fosse das sobras do seu prato? Além disso, as pessoas devem ser avaliadas não pelo que elas possuem, mas pelo que demonstram de afeto e respeito pelos semelhantes.

Todos estavam empolgados com o novo desafio e nos resta contar que todos conseguiram cumprir o que prometeram. Hoje em dia, Sidney já conseguiu um novo emprego, mas os bons hábitos do período das vacas magras permaneceram, o que propiciou à família uma experiência mais fantástica ainda: com o dinheiro que sobra todo mês, eles compram pequenos presentes para os idosos da casa de repouso que fica no bairro e vão até lá. Com o que era desperdício de uns, é possível hoje fazer a alegria de muitos!